XXIX Encontro Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental 2020

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Dados do Trabalho


Título

IMPLEMENTAÇAO E ADESAO A INTERVENÇAO COM CRIANÇAS COM TEA VIA TELEHEALTH DURANTE A PANDEMIA DE COVID-19

Resumo geral

O presente simpósio tem como objetivo apresentar a estruturação e a adesão aos serviços de telehealth ofertado aos pais de crianças com Transtorno do Espectro Autista por três clínicas brasileiras, duas localizadas no estado do Espírito Santo, nas cidades de Linhares e Vitória, e outra no estado de São Paulo, na cidade de Cotia. Os serviços foram estruturados devido à necessidade do distanciamento social como medida de prevenção ao COVID-19, iniciando em abril de 2020. Os serviços visaram ensino de habilidades por meio de tentativas discretas e/ou ensino naturalístico e a implementação de estratégias de redução de comportamento problema. Além da forma como os serviços foram estruturados e apresentados à família serão apresentados dados referentes à adesão dos responsáveis pelos clientes a essa modalidade de acompanhamento. A adesão foi medida a partir de dois critérios: a) pela emissão de comportamentos por parte dos responsáveis pela criança consistentes com a recomendação do supervisor e que influenciam, consequentemente, na efetividade da intervenção; b) pela assiduidade na participação de supervisões sobre o ensino parental a partir de vídeos produzidos pelos pais para essa finalidade, assim como pela permanência no serviço. A adesão abaixo do ideal tem sido um problema documentado na literatura da área de saúde e comportamental nos últimos 60 anos, e que precisa maior atenção nas pesquisas e aplicações da área (Moore & Simons, 2011). Pesquisas comportamentais na área de desenvolvimento atípico usualmente empregam medidas da integridade do tratamento, mas não análise da adesão que é igualmente importante para alcance dos resultados esperados. Casa uma das clínicas apresentará as medidas de adesão utilizadas e discutirá os possíveis impactos no comportamento de cada criança assistida.

Resumo participante 1

O presente trabalho tem como objetivo apresentar a estruturação de um serviço de Telehealth ofertado aos pais de crianças com Transtorno do Espectro Autista por uma equipe de intervenção em ABA que atua em Vitória-ES e analisar a adesão familiar ao serviço. A estruturação desse serviço surgiu com a necessidade do distanciamento social como medida de prevenção ao COVID-19 no Brasil a partir do final de março de 2020. O serviço visou o ensino da aplicação de tentativas discretas de habilidades de cinco programas de cada criança, com base no currículo de ensino de cada uma delas. O serviço foi implementado em diversas etapas, sendo que cada família passou pelo treinamento teórico de princípios analítico comportamentais, videomodelação de aplicação de tentativas discretas e feedback escrito e on-line da própria aplicação. A adesão foi analisada a partir de dois critérios: a) permanência no serviço após adequações em função da Pandemia de Covid-19 e; b) Verificação sobre o seguimento de instruções fornecidas em orientações de pais a partir de um checklist criado para essa finalidade, com base nos componentes de tentativas discretas adaptado de Thiessen et al. (2007). Os resultados revelam que: a) houve adesão inicial de 85% (n= 96) das famílias cujo as crianças estavam em tratamento presencial antes da pandemia; b) foi registrada adesão de 8 famílias que iniciaram acompanhamento durante a oferta do serviço de Telehealth; c) em um retorno parcial aos atendimentos presenciais com protocolos de segurança desenvolvidos e validados por um infectologista, 53,8% (n=56) optaram por continuar o serviço apenas via Telehealth enquanto durar a pandemia; d) Foi registrada a confirmação de 85% (n=1169) supervisões realizadas com os pais; e) apenas em 17,8% (n=208) das supervisões os pais não enviaram vídeos da aplicações ao supervisor; f) todas as famílias apresentaram avanços de acordo com checklist verificado pelo supervisor para análise dos vídeos de aplicação.

Resumo participante 2

A telessaúde tem sido empregada há menos vinte anos no tratamento analítico-comportamental do autismo na avaliação, intervenção e no treinamento parental (Blackman, Jimenez-Gomez, e Shvarts, 2020; Tsami, Lerman e Toper-Korkmaz, 2019). Esta apresentação descreve a estruturação de um serviço de terapia ABA via telessaúde no contexto da pandemia de COVID-19. Após a identificação das diretrizes para situações de emergência e da revisão de literatura, 15 psicólogos foram treinados por meio de uma plataforma de teleconferência (Council of Autism Service Providers, 2020). Paralelamente, foi realizado, junto a 70 famílias, um levantamento sobre o interesse e disponibilidade dos pais para participar de um programa de telessaúde, bem como as prioridades relacionadas aos déficits e excessos comportamentais das crianças. Foram elaborados planos de ensino de habilidades para oito domínios e uma biblioteca virtual foi organizada com materiais para impressão, imagens, fotos e vídeos demonstrando a realização de tarefas, os quais foram disponibilizados aos pais conforme a necessidade. Inicialmente, 46 famílias confirmaram o interesse e receberam treinamento no plano de suporte individualizado e iniciaram o suporte clínico via telessaúde com duração entre 1 e 5 horas semanais e com o uso de ferramentas síncronas e assíncronas. Inicialmente, foram implementadas 3 metas de ensino de habilidades para cada criança a partir das áreas selecionadas como prioridades pela família. Adicionalmente, protocolos para a redução de problemas de comportamento foram desenvolvidos com base na análise funcional. Com o retorno do atendimento presencial, 28 famílias optaram por permanecer recebendo suporte remoto, sendo 13 exclusivamente online e 15 em suporte híbrido (presencial e online). Discute-se a viabilidade da provisão de tratamento de qualidade utilizando protocolos analíticos-comportamentais via telessaúde com alternativa para provisão de serviços para o tratamento do autismo.

Resumo participante 3

A medida adotada de distanciamento social como prevenção da transmissão do COVID-19 fez com que os modelos tradicionais de intervenção fossem reestruturados. O presente trabalho tem como objetivo avaliar como se deu a estruturação e a adesão do serviço ABA a pessoas com TEA em uma clínica na grande São Paulo. Os atendimentos passaram, em sua grande maioria, a serem aplicados por pais e cuidadores em sessões que aconteciam com o acompanhamento ao vivo dos terapeutas via plataforma zoom ou na ausência dos terapeutas em ocasiões apenas com a criança, de forma que os terapeutas tinham acesso ao seu desempenho via relato, vídeos da aplicação do programa e registro escrito. A adesão dos pais foi medida através de um checklist de monitoramento de desempenho que considerou diferentes habilidades e comportamentos esperados. As habilidades tinham relação a forma de aplicação dos programas, como por exemplo, aplicação adequada da instrução, entrega do estímulo reforçador, manejo de comportamento, entre outras orientadas pelo terapeuta. Outros comportamentos envolviam a assiduidade na participação dos atendimentos que incluía, realização de vídeos, entrega de registros, participação das supervisões nos dias e horários combinados. Estudos tem indicado que a efetividade de tratamentos via telehealth está diretamente ligada a adesão do responsável por implementar as intervenções (Allen & Wazrk, 2000), portanto, é importante que o planejamento dessa modalidade considere medidas confiáveis de avaliar, não somente o comportamento do aluno, mas o comportamento do mediador da intervenção.

Palavras Chave

Telehealth; Autismo; Adesão ao Tratamento; ABA

Minicurrículo do proponente

Mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Doutor em Psicologia pela Universidade Federal do Espírito Santo. Pós-Graduando em ABA: Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo, Atrasos do Desenvolvimento Intelectual e de Linguagem pela UFSCAR. Professor do curso de Psicologia da FAESA Centro Universitário. Supervisor da equipe Envolve que atua com autismo e quadros assemelhados, com base em ABA.

População envolvida

Desenvolvimento Atípico

Perfil do público-alvo

Intermediário: Dirigido preferencialmente a profissionais, estudantes ou pesquisadores com domínio prévio dos conhecimentos básicos da área em questão. Devem abordar aspectos conceituais, metodológicos ou tecnológicos bem estabelecidos, apresentando domínio na área.

Área

Transtorno do Espectro do Autismo

Instituições

Caminho - Grupo de Intervenção Comportamental Infantil - São Paulo - Brasil, Casulo - Comportamento & Saúde - Espírito Santo - Brasil, Envolve - Intervenção em ABA - Espírito Santo - Brasil

Autores

Luciano de Sousa Cunha, Anna Maria de Souza Marques Cunha, Camila Maria Silveira Colodetti, Paula Barcelos Bullerjhann, Mylena Pinto Lima, Luciano Carneiro, Meire Andersan Fiorit, Nataly Santos do Nascimento Teixeira, Letícia Barbieri, Letícia Barbieri