XXIX Encontro Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental 2020

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Dados do Trabalho


Título

PAIS E FILHOS, NADA FACIL DE ENTENDER: ANALISE DAS CONTIGENCIAS DE REFORÇO FAMILIARES

Resumo geral

Relações familiares conflituosas são constantemente a razão pela qual muitas pessoas buscam atendimento psicoterápico. É possível obter, de forma geral, apoio nas escolas ou em outros ambientes quando os filhos estão ainda na adolescência. Mas, em muitos casos, os pais se veem incapazes de lidarem com filhos recém-chegados à idade adulta, emocionalmente mais independentes. Punições e reforços disponibilizados já não são, muitas vezes, suficientes para produzirem o efeito desejado nos comportamentos dos filhos adultos. Para analisar a contingência de relacionamento familiar, em que os diversos indivíduos se reforçam mutuamente, é possível utilizar o modelo de contingências bilaterais de reforço, desenvolvido inicialmente para explicar o comportamento do consumidor. Segundo o modelo, o papel dos pais seria programar contingências que aumentem a probabilidade de emissão de comportamentos adequados por parte dos filhos. Eventualmente, ao longo da vida familiar, o relacionamento pode ser pontuado pela liberação de eventos aversivos mais frequentemente que os estímulos reforçadores. Tais eventos aversivos podem tomar a forma de episódios de violência doméstica, presenciados ou sofridos pelos filhos, invalidação constante, competição entre irmãos, por exemplo. Nas sucessivas interações, a história de contingências aversivas sinaliza aos membros da família alta probabilidade de punição, que evoca comportamentos de afastamento. Tais contingências se retroalimentam entre pais e filhos, tornando futuras interações cada vez mais intensas e desgastantes para ambos os atores. A terapia analítico-comportamental cumpre seu papel ao auxiliar filhos e pais a discriminarem seus próprios comportamentos e analisarem as contingências em que estão presentes no ambiente familiar. Para ilustrar as contingências bilaterais de reforço, serão apresentados três casos clínicos que descrevem o relacionamento entre pais e filhos adultos, a partir da análise de contingências bilaterais, em que foram utilizadas técnicas da terapia de aceitação e compromisso (ACT).

Resumo participante 1

A transição da adolescência para a idade adulta é um processo que todos nos passamos e na maioria das vezes é percorrido de forma bastante conflituosa, em especial com o pai. O adolescente em geral busca autonomia e liberdade, porem não possui o fator primordial que é independência financeira, a partir disso inicia-se uma busca pela aprovação dos pais, ou seja, ele vai buscar mostrar que é merecedor de confiança e que pode ser independente, nem que pra isso precise entrar em alguns atritos com os genitores.
Esse trabalho visa relatar o caso da cliente M.R de 19 anos, que, juntamente com os pais buscou o Instituto Brasiliense de Analise do Comportamento – IBAC no primeiro semestre de 2020, sua queixa inicial foi de ansiedade e uma desmotivação para dar continuidade aos seus projetos. No decorrer do processo terapêutico identificamos que a demanda na verdade era um conflito com o pai, que consiste em seguir ou não a profissão do pai, a que ele acha que vai ser melhor para seu futuro profissional. Ficou visível que a cliente apresenta muita insegurança em vários aspectos da sua vida, baixa tolerância a frustração e criticas, marcada por falta de estimulo e desistência ate mesmo em atividades que lhe são visivelmente reforçadoras. É possível identificar uma falta de repertorio comportamental da cliente em relação às experiências com a profissão proposta pelo pai, os reforços, e as conseqüências que essa decisão sobre qual profissão seguir poderia lhe trazer a curto e longo prazo. Temos trabalhado habilidades sociais, autoconhecimento, identificação de reforços positivos, negativos e as conseqüências de manter determinadas posturas na relação conflituosa com o pai. Com isso visamos modificar alguns comportamentos de esquiva e melhorar a comunicação verbal e não verbal.

Resumo participante 2

A clínica em Análise do Comportamento possibilita as mais variadas intervenções. Considerando que o processo de aprendizagem perpassa pelas relações entre pais e filhos, a análise funcional a nível molar, torna-se uma aliada na compreensão dos comportamentos que ocorrem nas relações familiares. A família pode ser um ambiente para o desenvolvimento ou não de habilidades sociais como, por exemplo, a comunicação assertiva. Além disso, é também necessário realizar a análise das contingências atuais para compreender como comportamentos são ainda mantidos no relacionamento entre pais e filhos, durante a vida adulta. Nesse sentido, a Terapia de Aceitação e Compromisso aplicada para queixas de relacionamento entre pais e filhos nessa fase, assim como as suas técnicas de intervenção, torna-se uma aliada para a clínica em Análise do Comportamento, dentro das terapias contextuais. A cliente, estudante de nível superior, procurou o Instituto Brasiliense de Análise do Comportamento – IBAC, com queixa de depressão caracterizada por uma tristeza profunda, episódios de automutilação e relato de “baixa de energia”, principalmente em contextos acadêmicos em paralelo com possibilidades profissionais e afetivas. No decorrer das sessões, ficou evidente comportamento de agressividade com aversão a situações que se relacionavam ao pai. Além disso, em conjunto, a cliente apresentava baixa tolerância a frustração e críticas, marcado por desistência e mudanças de planos sempre que havia uma tentativa sem resultados positivos no âmbito acadêmico. Nas relações familiares, evitava determinados contatos e conversas, principalmente no que diz respeito ao pai, exercendo comportamento de controle sobre as escolhas da mãe. A partir da identificação das variáveis que controlavam o comportamento da cliente, que eram muito mais relacionadas ao histórico de agressão física e verbal para com ela e com a mãe, exercidas pelo pai, foi possível encontrar um caminho para o processo de aceitação e compromisso.

Resumo participante 3

Nos últimos anos houve uma alteração no ciclo vital, no que se refere à transição para a idade adulta. Percebe-se uma nova fase, nomeada como adultez emergente, que ocorre entre a adolescência e a fase adulta, em que o indivíduo possui autonomia para tomar certas decisões sem ter completa independência financeira dos pais. O presente trabalho visa apresentar um caso clinico de uma cliente que se encontra na transição entre a adolescência e fase adulta e vivencia conflitos com os pais, principalmente no que se refere à disputa de hierarquia. A cliente trouxe como queixa inicial dúvidas quanto a carreira acadêmica, bem como a busca pela própria identidade. O que se observou durante as sessões foi o baixo repertório de habilidades sociais, tanto por parte dos pais quanto da própria cliente, incluindo dificuldade de expressão de sentimentos e comportamentos agressivos como, por exemplo, bater em coisas ou pessoas. Tais comportamentos influenciavam bastante a relação com os pais, permeada por conflitos, que se tornou fonte estimulação aversiva. As contingências históricas contribuíram para o estabelecimento desse repertório comportamental tanto de seguir regras, quanto de inassertividade, como violência física e psicológica na infância e a presença de regras religiosas extremamente rígidas. A partir do entendimento das contingências históricas e atuais que estabeleceram e mantêm os comportamentos da cliente, foi possível trabalhar a flexibilização das regras e maior sensibilidade ao contexto atual, bem como o desenvolvimento de comportamentos mais adequados de assertividade para melhoria da qualidade de vida familiar.

Resumo participante 4

Resumo participante 5

Minicurrículo do proponente

Patrícia Luque (CRP 01/10087) Doutora em Ciências do Comportamento (2017) e Mestre em Psicologia pela Universidade de Brasília (2007). Possui graduação em Psicologia pelo UniCeub (2004) e em Administração de Empresas pela Universidade de Brasília (1997). Professora na Clínica Brasília de Psicologia e no Instituto Continuum (Londrina-PR). Supervisora de estágio no Instituto Brasiliense de Análise do Comportamento (IBAC). Pesquisadora do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict). Psicóloga clínica desde 2004.

População envolvida

Adultos jovens e famílias

Perfil do público-alvo

Estudantes de graduação e psicólogos formados

Área

Intervenção Clínica no Consultório

Instituições

IBAC - Distrito Federal - Brasil

Autores

PATRÍCIA LUQUE CARREIRO, ANDRESSA CERRANO DE CASTRO, PRISCILA CASTRO ALVES, THAÍS DE ANDRADE LIMA